Segurança compartilhada reduz criminalidade em bairro platinense

Sistema de monitoramento implantado por iniciativa de moradores reduz onda de violência em bairro de SAP

Uma iniciativa da Associação de Moradores da Vila Rica, em Santo Antônio da Platina, praticamente acabou com a onda de violência no bairro, que diariamente registrava ocorrências por furto, roubo e vandalismo. Há quatro meses, os próprios moradores instalaram câmeras de segurança em pontos estratégicos para monitorar a vila e uma equipe de vigilantes foi contratada para fazer a ronda no bairro. No entanto, o que realmente fez o índice zerar foi publicidade dada à medida encontrada para coibir as ações criminosas. Por todo o bairro foram fixadas faixas que alertam a população sobre o sistema de monitoramento instalado, conquistado por meio de doações e mantido com a contribuição de R$ 20 por moradia.

Das 195 residências que existem no bairro com aproximadamente mil moradores, apenas 15% ainda não estão incluídas no projeto, porém, o objetivo da associação é que todos os imóveis façam parte do programa até o final deste ano. O dinheiro arrecadado com as mensalidades, pouco mais de R$ 3 mil, é totalmente investido na segurança local.

De acordo com o vice-presidente da Associação de Moradores da Vila Rica, Marceluz de Queiroz, a adesão foi gradativa e os resultados estão motivando as pessoas. “Na primeira reunião, em março, quando discutimos pela primeira vez o assunto, muitos não viam o projeto com bons olhos e diziam que segurança era obrigação dos governantes. No entanto, com os resultados positivos os moradores foram aos poucos ‘comprando’ a ideia e mês a mês a adesão aumenta. Hoje temos um batalhão contra a criminalidade no bairro. Estamos divulgando bastante o projeto e isso afastas os bandidos recuarem, pois sabem que serão identificados e presos”, explicou.

Segundo Queiroz, os resultados do projeto têm atraído a atenção de outros bairros, com lideranças vindo conhecer o sistema desenvolvido pelos moradores. “Apresentamos o projeto para alguns empresários e pedimos a colaboração com equipamentos para iniciarmos o monitoramento do bairro. Ganhamos praticamente tudo sem nenhum tipo de pedido de contrapartida das empresas, como publicidade, por exemplo. Inclusive, os empresários pediram para não aparecer”, destacou.

Vítima em quatro roubos e diversos furtos, o comerciante José Inácio Pereira considera louvável a a iniciativa da associação e já contabiliza ganhos. “São propostas como esta que devemos discutir nas reuniões e colocarmos em prática. Trabalho aqui há anos e sempre tive problemas com furtos e assaltos, mas depois que o sistema de segurança foi implantado os crimes acabaram”, disse.

Para o morador Rogério Cruz Martins, a redução significativa nos crimes mostra que é possível combater a violência e que o exemplo deve ser adotado pelo poder público. “Todos os dias tínhamos uma casa arrombada e furtada no bairro, e assaltos com frequência. Em apenas quatro meses conseguimos eliminar os crimes na vila. Até os atos de vandalismo acabaram. Isso mostra que é possível combater a violência, basta querer. O poder público deveria analisar melhor nosso sistema e investir na segurança de toda a cidade. Afinal, segurança pública é responsabilidade dos governantes, não da população”, avalia.

O projeto está sendo aprimorado e deve receber melhorias nos próximos dias. Segundo o vice-presidente da Associação de Moradores da Vila Rica, Marceluz de Queiroz, cada morador irá receber um adesivo para fixar em frente sua residência para indicar que integra o projeto de segurança, além de um apito para ser utilizado em situações de emergência, assim que começar funcionar o programa vizinho solidário. “São boas ideias que deram certo em outras cidades que estamos copiando”, concluiu.

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FONTETanosite/Luiz Guilherme Bannwart
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