Redução de 30% dos salários dos vereadores não agrada e população

Para a maioria das pessoas entrevistas pela reportagem, a decisão unânime foi a estratégia encontrada pelos parlamentares para confundir os eleitores e tentar por fim às manifestações.

O resultado da sessão realizada na noite de segunda-feira (10), na Câmara de Vereadores de Jacarezinho, piorou ainda mais a reputação dos parlamentares. Pelo menos é o que demonstra a opinião pública pelas ruas da cidade após a aprovação do projeto que reduziu os subsídios dos vereadores em 30% e a revogação da lei que aumentou o número de cadeiras no Legislativo.

Para a maioria das pessoas entrevistas pela reportagem, a decisão unânime foi a estratégia encontrada pelos parlamentares para confundir os eleitores e tentar por fim às manifestações. “Eles imaginavam que diminuindo os salários em apenas 30% e revogando a lei que aumentou o número de vereadores na cidade tudo estaria resolvido. O que de fato eles ainda não compreenderam é que o povo não concorda com um salário superior a R$ 788 e mais do que nove representantes no Legislativo”, disse o técnico em eletrônica, Márcio Dias Campos.

Para o empresário Alberto Bonardi Junior, representante do movimento ‘Todo Poder Emana do Povo – Jacarezinho e Ação’, a decisão dos vereadores mostrou a intenção de legislarem em causa própria e não em benefício da população, que segundo garante, irá continuar com as manifestações. “Pouco antes do início da sessão os vereadores propuseram uma reunião com alguns representantes do movimento para dizer que iriam reduzir os subsídios e revogar a lei que aumentou o número de cadeiras. No entanto, sequer ouviram a opinião de quem ali estava representando o povo e ainda por cima disseram que o movimento não tem legitimidade para decidir como o assunto deve ser tratado. Ou seja: estão olhando apenas para o ‘próprio umbigo’, a opinião popular pouco importa para eles. Mas a decisão não nos desmotivou, muito pelo contrário, serviu para nos mostrar o quanto devemos continuar lutando pelos interesses dos cidadãos”, afirmou Bonardi.

Resumo

A sessão reuniu uma multidão em frente ao prédio do Legislativo, porém, o presidente da Câmara de Vereadores, Valdir Maldonado (PDT), restringiu a entrada da população alegando questões de segurança e autorizou apenas a entrada de pouco mais de 100 pessoas para acompanhar a votação dos projetos. O pequeno grupo presente no auditório não se intimidou com a presença de vários homens da Polícia Militar e da equipe de segurança particular contrata pela casa, e protestaram o tempo todo contra os parlamentares ecoados por centenas de manifestantes que acompanhavam atentamente a votação através de um telão posicionado do lado de fora do prédio.

Os projetos que reduziram os subsídios e revogou a lei que aumentou o número de vereadores no município foram os últimos a serem colocados em votação no plenário, e, em menos de cinco minutos, em duas sessões extraordinárias convocada pelo presidente Valdir Maldonado (PDT), foram aprovados por unanimidade.

Com a decisão, os subsídios dos vereadores foram reduzidos de R$ 6,2 mil para R$ 4,340, exceto o do presidente do Legislativo, que irá receber a quantia de R$ 5 mil mensal. Já o prefeito terá o valor do subsídio reduzido de R$ 15 mil para R$ 11 mil, e o vice-prefeito de R$ 6,2 mil para R$ 2,170. Os 12 secretários municipais também tiveram os valores reduzidos de R$ 6,2 para
R$ 4,340.

Os novos valores começam a vigorar em janeiro de 2017, quando se inicia a próxima legislatura.

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