Por falta de provas, França descarta denúncia de assassinato de Arafat

Juízes consideraram não haver provas para dizer que houve assassinato. Causa de morte do presidente da Autoridade Palestina não foi esclarecida.

Os juízes franceses encarregados da investigação sobre a morte de Yasser Arafat descartaram a denúncia de assassinato do líder palestino por falta de provas, informou nesta quarta-feira (2) o Ministério Público.

Os três magistrados consideraram que não havia provas suficientes para determinar se o presidente da Autoridade Palestina, que morreu em 2004 na França, foi assassinado, indicou a procuradoria de Nanterre (oeste de Paris) à AFP.

Causas não esclarecidas
O presidente da Autoridade Palestina morreu em 11 de novembro de 2004, aos 75 anos, em um hospital militar francês após uma brusca deterioração de seu estado de saúde. As causas de sua morte nunca foram esclarecidas.

Três juízes de Naterre (a oeste de Paris) foram encarregados de reabrir o caso por suspeita de “assassinato” após Souha Arafat apresentar uma queixa baseando-se na descoberta de polônio 210, substância radioativa altamente tóxica, nos objetos pessoais de seu marido.

A sepultura de Arafat, na Cisjordânia ocupada, foi aberta em novembro de 2012. Cerca de 60 amostras restiradas de seu cadáver foram enviadas a três equipes de especialistas suíços, franceses e russos.

Os suíços encontram níveis anormais de polônio, indicando que a tese de envenenamento era “mais coerente” com os resultados, mas negaram-se a afirmar que Arafat tivesse sido envenenado com a substância. Os especialistas franceses sustentaram que o polônio-210 e o chumbo-210 encontrados na sepultura de Arafat e nas amostras eram de origem ambiental.

Após o anúncio da justiça francesa do fechamento da investigação, em maio, os advogados da viúva, Francis Szpiner e Renaud Semerdjian, recriminaram os juízes por terem conduzido o caso de forma muito “rápida, precipitada e urgente”.

“Sem ofensa aos juízes e ao procurador, ninguém hoje é capaz de dizer qual foi a causa da morte de Yasser Arafat e explicar as circunstâncias de seu falecimento. Este único elemento justifica o prosseguimento da investigação”, consideraram Szpiner e Semerdjian, acrescentando que “surpreende a velocidade em querer concluir de maneira forçada um caso de tal importância.”

Os advogados pediram investigações suplementares, que foram rejeitadas.

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VIAFrance Presse
FONTEG1
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