Plano de mobilidade de Los Angeles prioriza ciclistas e pedestres

Projeto aprovado prevê mudanças no trânsito da cidade até 2035. Oposição afirma que redução de faixas para carros piorará tráfego.

Os vereadores de Los Angeles aprovaram na última semana um novo plano de mobilidade que estabelece metas para reduzir os congestionamentos na cidade até o ano de 2035, além de priorizar pedestres e ciclistas. O plano tem gerado polêmica semelhante à de medidas adotadas na cidade de São Paulo, como a redução de velocidade máxima para carros e a implantação deciclovias em extensões antes destinadas a faixas de rolamento para carros.

De acordo com o jornal “Los Angeles Times”, por décadas a cidade vinha fazendo inúmeras obras para fazer o tráfego de automóveis fluir melhor e mais rápido, desde a remoção de árvores e demolição de casas até a terraplanagem de encostas.

Com a aprovação do plano pela Câmara Municipal, devem ser adicionadas mais faixas para ônibus e bicicletas. Como consequência, em alguns lugares, deve sobrar bem pouco espaço para os carros. O objetivo é aumentar a segurança para ciclistas e pedestres, além de motivar os motoristas a deixarem seus carros na garagem.

O Plano de Mobilidade 2035 pretende construir centenas de quilômetros de ciclovias, faixas exclusivas de ônibus e reformular ruas e avenidas. Ele também pretende reduzir a zero a taxa de mortalidade por colisões de veículos dentro de 20 anos. Uma das metas é manter os carros dentro dos limites de velocidade. O plano toma como base recente mudanças pelas quais a cidade já passou nos últimos anos.

Para o vereador Mike Bonin, citado pelo “Los Angeles Times” as mudanças são necessárias em parte porque a cidade tem um “legado de vergonha” em relação ao número de crianças e idosos que são vítimas fatais em acidentes de trânsito.

“Este é um documento para nos ajudar a priorizar a segurança pública, para que quem está a pé ou de bicicleta não seja morto”, afirma Bonin.

Já a oposição afirma que o plano não será benéfico para a cidade, já que, acreditam, com a redução de faixas para os carros, o congestionamento aumentará, reduzindo inclusive a velocidade de veículos de serviços emergenciais. “Queremos uma reforma real dos transportes. Isso não é planejamento de transportes, mas slogans”, acredita Laura Lake, voluntária do grupo “Fix the City”. Os opositores devem entrar na Justiça contra o plano.

Segundo especialistas, é possível para Los Angeles reduzir o número de acidentes de trânsito. Colocar canteiros centrais, alargar calçadas e acrescentar faixas exclusivas para ônibus e bicicletas seriam medidas que poderiam diminuir o número de fatalidades entre automóveis, pedestres e ciclistas – mas todas essas opções deveriam ser priorizadas no lugar das faixas de carros.

Para os defensores do projeto, a redução da velocidade dos veículos não resultaria automaticamente em congestionamentos, já que o melhor cenário para uma rua principal é ter carros com velocidades estáveis e constantes.

“Um tráfego mais lento não gera necessariamente congestionamento”, afirma a planejadora urbana Claire Bowin. “Velocidades reduzidas podem, em alguns casos, permitir que mais carros se movimentem naquela região”.

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FONTEG1
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