Depenar galinha e cozinhar no barco: saiba quem cria provas do “MasterChef”

Depenar uma galinha, exibir um porco inteiro em formato de quebra-cabeça e colocar os participantes para cozinhar dentro de um barco em pleno Rio Negro, no Amazonas. Alguns dos principais desafios do “MasterChef Brasil” saíram da cabeça da chef de cozinha Paula Labaki, que trabalha como consultora do programa da Band desde a primeira edição.

Com 27 anos de experiência, Paula e mais seis pessoas são responsáveis por desenvolver as provas do reality show, montar a logística das competições, escolher os ingredientes e os utensílios e ainda auxiliar os competidores com aulas e técnicas gastronômicas. Com atividades mantidas em segredo até para os jurados – Erick Jacquin, Henrique Fogaça e Paola Carossela –, a chef executa cada uma antes para verificar a viabilidade de cada procedimento.

“O legal é criar provas que tenham dificuldades, sejam aventureiras, levem os caras ao limite, mas possíveis de serem executadas. As provas são pensadas para educar, entreter e testar os nervos. Quem quer ser um cozinheiro tem que aprender a lidar com o emocional, com o tempo. Ouço muito nas ruas que as pessoas estão se arriscando mais na cozinha por conta do ‘MasterChef’. E essa é a ideia do programa”, comemora.

Adepta da cozinha sustentável, do reaproveitamento de alimentos, Paula também gosta de colocar a culinária brasileira em evidência. Por isso disputas com temperos exóticos, alimentos de regiões específicas do país e peixes pouco consumidos, como a arraia. “O cozinheiro tem que saber limpar e valorizar os animais. Antes de ser um alimento, é um animal”, defende.

Reprodução/Facebook

Larissa Douat posa ao lado de Paula Labaki e de outros funcionários da Catering Lena Labaki

Com experiência em palestras e consultorias, Paula já deu aulas para Cecília, participante da primeira edição, e atualmente tem como funcionária em sua empresa a mineira Larissa Douat, 26 anos, uma das primeiras eliminadas da segunda temporada. “Ela trabalha como ajudante e está desempenhando muito bem as funções. Ela tem perfil de cozinheira”.

Ativista de causas sociais, a chef segue o estilo de cozinha da argentina Paola Carrosela, mas discorda da colega quando ela diz que não vê nenhum participante do programa como a grande descoberta da gastronomia brasileira.

“Às vezes o reality show é o caminho que a pessoa encontra para entrar em uma cozinha. Acredito na vontade do ser humano. Ninguém vai se expor, se não tiver vontade de ser um cozinheiro. Óbvio que nem todos que estão ali vão virar cozinheiros, mas durante a competição, muitos se apaixonam pela cozinha. A primeira vez que o Lucas entrou no mercado, ele chorou. Ele nunca tinha visto tantos ingredientes. É um reality sim, mas está dando acesso. A gente não tem cultura gastronômica no Brasil porque não temos possibilidades. A partir do momento que você dá acesso, a cultura é ampliada e o ‘MasterChef’ é uma forma de acesso”, afirma.

Rigorosa e autocrítica, Paula não acha que Jacquin, Fogaça e Paola sejam grosseiros com os concorrentes quando avaliam os pratos.

“A cozinha é um lugar quente, um espaço de emoções latentes. No mesmo momento que você dá um baita esculacho no seu ajudante, depois de meia hora vocês estão no bar tomando cerveja e felizes. Às vezes, na TV, parece que o chef está sendo rigoroso demais, mas não é. Na cozinha é rotineiro. O brasileiro não está acostumado [com a postura]. Se compararmos com a cozinha francesa, nossos chefs são gatinhos de pelúcia. Precisamos parar de se assustar com as coisas e fazer acontecer”, finaliza ela, que também será consultora do “MasterChef Júnior”. “Tem muita criança cozinhando bem no Brasil”, adianta.

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FONTEUol TV
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