Cachê de R$ 700 mil cai a até R$ 100 mil no “Maracanã dos sertanejos”

Mateus, da dupla Jorge e Mateus: cachê de um show gira em torno de R$ 700 mil

Em tempos de diversificação e misturas no sertanejo, o diretor artístico da Festa do Peão de Barretos, Ricardo Rocha, tem a missão de juntar no mesmo balaio nomes representativos de algumas das principais vertentes da música popular brasileira hoje. Responsável pela programação de shows do evento, que começa na próxima quinta (20) na cidade de Barretos, interior de SP, ele afirma que a enorme tradição por trás do evento facilita seu trabalho, fazendo com que duplas com cachês de R$ 700 mil topem reduzi-los para até R$ 100 mil só para fazer parte da festa. “Aqui é o Maracanã dos sertanejos”, diz ele na entrevista ao UOL a seguir.

UOL – Há quanto tempo você é o programador da Festa de Barretos?

Ricardo Rocha – Desde o ano passado. Até então, eu cuidava da hípica. Mas, como eu fazia eventos na cidade, houve uma eleição entre Os Independentes [grupo gestor do rodeio] e eu fui escolhido para ser o novo diretor artístico. O antigo programador estava há uns 23, 24 anos na função e o pessoal resolveu dar uma oxigenada. Eu quero que seja breve e marcante minha passagem. A festa tinha de dois a três shows por noite e um tempo muito longo entre uma banda e outra, 15 a 20 minutos para trocar uma banda. Agora todas as bandas entram logo após a anterior, todas já ficam posicionadas no palco. Barretos é reconhecido nacional e mundialmente e aqui você não vê o mesmo show que roda o país. São shows exclusivos, nós juntamos artistas. Você terá aqui Michel Teló e Bruno e Marronejuntos, com convidados, no show Bem Sertanejo. Isso não verá em outro lugar. Os artistas compraram essa ideia, e acaba sendo um produto que depois eles vendem para fora, fazem em outros lugares.

E a escalação eclética, que reúne desde Garth Brooks até a Galinha Pintadinha, por que é desse jeito?

É porque no domingo vem muita família visitar o Parque do Peão e a gente sempre prioriza o lazer das famílias, é muito importante pra gente. Então colocamos atrações que satisfazem a família. Também sempre nos mantemos atentos para as novidades. A explosão do momento é o Wesley Safadão, ele vem entrando muito forte. Fez recentemente um show no Centro de Tradições Nordestinas de São Paulo que os ingressos esgotaram 30 dias antes. Wesley é uma sensação nacional. Também trouxemos a Banda Eva, o axé é muito popular. Mas o sertanejo é 80% da grade, é o que a gente destaca.

Mas não é um sertanejo puro sangue, certo? Engloba todas as correntes.

Hoje em dia, o sertanejo é muito diversificado. A dupla vai até o Carnaval da Bahia e lá ela faz o mix com o axé e faz muito sucesso. Vai até o Rio e mescla com o funk, também arrebenta. Mas quando chega aqui em Barretos ela retorna ao tradicional, traz o tradicional para o centro. E a gente continua trazendo os antigos. No último dia da festa, teremos um show de uma hora de Gilberto e Gilmar, para quem gosta de música sertaneja de raiz. E tem os hits. Quando um hit estoura, como “Camaro Amarelo”, você tem que entrar na onda e deixar ir. Hoje o que define um fenômeno é a internet, não é mais o rádio. Wesley Safadão, em poucos meses, se tornou um gigante. Henrique e Juliano, que há um ano e pouco andavam de van, hoje andam de jato particular. Mas todos reconhecem o papel de Barretos. Se o artista sertanejo não canta em Barretos, ele fica devendo algo para os fãs. Aqui é o Maracanã dos sertanejos, e eles baixam os cachês para tocarem aqui. Tem artista com cachê hoje girando em torno de R$ 700 mil, como Jorge e Mateus, que faz muito mais em conta pra gente porque sabem da importância de estar aqui. Para tocar com a gente, fazem por R$ 100 mil, R$ 150 mil, R$ 200 mil, porque não é o dinheiro que importa nesse caso.

A Festa do Peão também tem muito artista em começo de carreira. Quem faz a garimpagem?

A gente está sempre assuntando, sempre ligado no que está estourando. E esse ano até estamos fazendo uma experiência inédita. Os Independentes estão apadrinhando pela primeira vez uma dupla nova, Roby e Thiago. Eles têm um hit estourado aqui no Estado de São Paulo, “Namora Pro Cê Ver”, e queremos projetá-los nacionalmente. Sabemos que têm potencial e vamos apostar neles. É sertanejo universitário tradicional muito bom.

Os artistas sertanejos tradicionais também sempre flertaram com outros ritmos, não? Tem aí o exemplo da dupla Chitãozinho e Xororó.

Acho que o Chitão sempre foi mais tradicional, mas teve um momento em que foram em direção ao country norte-americano e não foram muito bem-sucedidos. Voltaram à sua pegada do começo e estão de novo em alta. Minha avaliação é que, de uns três, quatro anos para cá, os antigos voltaram ao centro das atenções do público. Você vê o caso de Bruno e Marrone, que estão vivendo talvez o melhor momento da carreira deles.Os veteranos estão no auge.

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FONTE música.uol
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