Homenageada em Gramado, Marília Pêra se recupera de doença e grava CD

Atriz, cantora e bailarina, Pêra relembrou o passado de trabalhos no cinema, teatro e televisão,

A atriz Marília Pêra, 72, homenageada pelo conjunto da obra no 43º Festival de Gramado, contou a jornalistas, na tarde desta terça-feira (11), que vive um momento de recuperação de sua saúde. “Já havia sido convidada para receber a homenagem em anos anteriores, mas estive doente nos últimos dois. Tive um desgaste ósseo e isso é muito grave para alguém que foi bailarina e saltitou a vida toda. É algo que estou superando agora”, disse.

Atriz, cantora e bailarina, Pêra relembrou o passado de trabalhos no cinema, teatro e televisão, mas também quis falar do futuro, que terá um novo CD, com música de Tom Jobim, Vinicius de Moraes e outros compositores. “No início, achei que seria um CD triste porque o país passa por um momento muito triste, mas depois vi que era um CD de amor”, contou.

Em setembro, ela volta à TV para mais uma temporada de “Pé na Cova”, seriado da Globo no qual vive a alcoólatra Darlene. “Eu sempre fiz mais TV e teatro, mas toda vez que venho a Gramado eu digo que gostaria de fazer mais cinema”. Vencedora de dois Kikitos de atriz por “Bar Esperança” (1983) e “Anjos da Noite” (1987), Pêra apareceu pela última vez na telona em “Polaroides Urbanas” (2008), dirigido por Miguel Falabella, amigo de longa data e também criador de “Pé na Cova”.

Com mais de 60 anos de carreira, a atriz, que começou a trabalhar aos 4 ano, já trabalhou no cinema com Hector Babenco, Eduardo Coutinho, Hugo Carvana e Cacá Diegues. “O primeiro trabalho com o Babenco (‘O Rei da Noite’ – 1975) foi muito difícil. Não era bem eu que ele queria para aquele papel [de uma cantora de tango]. Ele me aceitou, mas mal olhava para mim no set. Só na hora da montagem que ele percebeu o meu trabalho”.

À “Folha de S.Paulo”, em 2003, Babenco contou que “levou um sabão” de Pêra sobre seu desempenho como diretor: “A Marília Pêra, quando acabaram as filmagens, disse para mim: ‘Você está muito aquém do que eu esperava de um diretor. Você é muito jovem e ainda não sabe dirigir ator’.

Eles voltaram a trabalhar juntos no aclamado “Pixote”, em 1981. “Em ‘Pixote’ eu já confiava totalmente nele e acho que foi meu primeiro grande desafio no cinema. Para viver aquela prostituta, eu pedi para que o Babenco fosse cuidadoso, porque eu faria um mergulho profundo. Foi o trabalho que eu tive mais medo”. O medo de Marília resultou em um dos trabalhos mais reconhecidos de sua carreira. Com o papel, ela venceu o prêmio de críticos de Nova York, um dos mais importantes do mundo.

Nascida em uma família de atores, ela disse que só parou para pensar se queria mesmo ser atriz com 35 anos, quando não dava mais para voltar atrás. “Já declarei várias vezes que iria parar, mas acho que o trabalho do ator é o mais rico que existe”, disse ela.

 

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