Neat/Uenp e Emater implantam metodologia inovadora para produção orgânica

O objetivo é definir estratégias para a implantação do “treino visita”, que é uma adaptação de uma metodologia já usada pela Emater

Airton Frata e sua esposa Francisca Rodrigues da Silva exibem com orgulho sua produção de tomates orgânico (Divulgação)

A reunião para estreitar ainda mais os laços entre o Neat (Núcleo de Estudos de Agroecologia e Territórios) da Uenp (Universidade Estadual do Norte do Paraná) e o Instituto Emater das regionais administrativas de Cornélio Procópio e Santo Antonio da Platina aconteceu no último dia 10 em Ibaiti e teve como objetivo definir estratégias para a implantação do “treino visita”, que é uma adaptação de uma metodologia já usada pela Emater, porém ao invés de ser somente com os técnicos, envolve ainda mais o agricultor. “Os técnicos mais experientes como a Ernestina Muraoka (Tina) e Valdinei Fernandes, auxiliarão In loco os técnicos da Emater e também os agricultores no manejo orgânico, criando unidades demonstrativas nas propriedades destes agricultores”, explicou Maurício Castro Alves, gerente da Emater Santo Antônio da Platina, que deve iniciar em um primeiro momento na cultura do tomate em estufa subdividindo a regional em quatro microrregiões, onde os agricultores executarão as tarefas de plantio e condução da cultura em cada propriedade sendo formado um circuito de visitas para debater cada técnica, levando a uma inevitável troca de experiências, tudo com manejo orgânico, sem o uso de agrotóxicos.

Na regional de Cornélio Procópio a agricultura orgânica também caminha a contento. Segundo os últimos levantamentos em 12 municípios há cerca de 80 produtores certificados ou em processo de certificação, porém a gerente da Emater, Eliani Aparecida Marson, acredita que se as duas regionais administrativas se unirem, o número pode ampliar e quem sai ganhando são agricultores e consumidores. “Desde o ano passado eu e o Maurício estamos nos reunindo montando estratégias de ampliação da agricultura orgânica nas duas regionais visando uma produção de alimentos mais seguro, mais saudáveis e pensando na geração de renda também, pois o alimento orgânico certificado é uma alternativa para dar mais estabilidade econômica para o produtor”, frisou Eliani.

Neste contexto, o Neat vem contribuir no processo de adequação das propriedades para a certificação por auditoria e certificação no sistema participativo, por meio do Programa Paraná Mais Orgânicos, uma política pública que atende gratuitamente o agricultor familiar em auxilio com a Emater na assistência técnica até a emissão do certificado. O núcleo também fará parte do “treino visita”, implantando uma unidade demonstrativa na Estação Experimental Agroecológica “Terra Livre” na Uenp de Bandeirantes, onde já está produzindo tomate no manejo orgânico em estufa. “Nossos bolsistas acompanharão os subgrupos da Regional Santo Antônio em todo processo de visitação nas propriedades e ainda abrimos as portas do Neat para receber os agricultores e técnicos para apresentar a unidade demonstrativa que implantaremos aqui na Uenp”, comprometeu-se o coordenador do Neat, professor Dr. Rogério Macedo, lembrando ainda que a parceria com a Emater é de longa data, porém acredita que com esta nova metodologia vai alavancar ainda mais a produção orgânica no Norte Pioneiro.

Para ilustrar melhor a metodologia, a Emater preparou uma visita a campo, onde o técnico Valdinei Fernandes, de Curiúva, apresentou na propriedade do Airton Frata, Chácara Cafezal  em Ibaiti, para 12 agricultores locais e 4 de Japira, a metodologia “treino visita”. Na ocasião o bolsista do Neat que é Biólogo e Mestre em Agronomia, Diego Contiero, apresentou o programa de certificação.

“Hoje na propriedade do Airton reunimos os agricultores que tem interesse em fazer a produção orgânica, explicamos a metodologia do ‘treino visita’, o Neat apresentou o processo de certificação e agora eles tem a opção de decidir se vão ou não participar”, disse Maurício.

Airton iniciou o manejo orgânico em 2001 e em 2004 conseguiu o certificado. Para motivar ainda mais os agricultores ele relatou que sua experiência como agricultor convencional, utilizando veneno não foram nada boas. “Já me intoxiquei com produtos que além de prejudicar o meio ambiente, ainda não resolvia o problema das pragas e das doenças”.  Hoje ele produz cheiro-verde, folhosas, tomate e abóbora em uma propriedade familiar onde mora com sua esposa, pais e sobrinhos. “Para mim é uma filosofia de vida. É cuidar da natureza e criar um organismo dentro da propriedade e sobreviver produzindo um alimento de qualidade e ter a tranqüilidade de consumir e levar até a mesa do consumidor um produto saudável, livre de veneno”, disse Airton satisfeito.

Gerentes das regionais Cornélio Procópio e Santo Antônio da Platina se reuniram com o coordenador do Neat em Ibaiti (Divulgação)