Agricultores estimam quebra de 25% na produção do milho na região

Na região, não chove há aproximadamente 40 dias; a seca é mais prejudicial na fase de floração e frutificação

A falta de chuva deve prejudicar toda a produção de milho do Estado (Antônio de Picolli)

Os agricultores da região que plantaram milho estão preocupados com a falta de chuva. Inicialmente, a estimativa de produção era de 579,200 mil toneladas do grão cultivado em uma área de aproximadamente 108 mil hectares, porém, com a seca que já dura cerca de 40 dias, a expectativa é de uma quebra de 25% na produtividade.

Segundo o técnico Agrícola do Departamento de Economia Rural (Deral) – regional de Jacarezinho – Franc Ron Oliveira, boa parte do  milho cultivado na região está em fase  floração e cerca de 20% de frutificação. “Inicialmente, era esperado 5.300 quilos de milho por hectare. Se a quebra de 25% se confirmar, essa quantia pode cair para 3.900 quilos por hectare. Os produtores esperam que na próxima semana, volte a chover na região, assim ainda dá para salvar os que foram plantados recentemente”, comentou.

Para Franc, a olho nu, não se percebe grandes estragos nas plantações. “Olhando para as áreas plantadas, não dá para perceber o quanto o grão foi atingido. Isso só será possível quando as espigas forem abertas”, explicou.

A seca também está atrapalhando o plantio do trigo. Na região de Wenceslau Braz, os produtores estão mais cautelosos e aguardam as chuvas. “Naquela região, as terras estão nuas, ou seja, os produtores não querem arriscar. Não plantaram nada. Já na região de Cambará e Barra do Jacaré, tem agricultores apostando na chuva para este final de semana e por isso, já estão semeando”, contou.

Até agora, só foram plantados entre 10 e 15% de trigo em toda a região. A área destinada ao plantio total desta época é de cerca de 50 mil hectares.

No Paraná- Segundo o Deral, a falta de chuvas vai prejudicar a segunda safra de milho deste ciclo 2017/18 em todo o Paraná, segundo Estado maior produtor do cereal do país. De acordo com levantamento,  44% dos 2,1 milhões de hectares semeados apresentam condições médias de desenvolvimento e 13% estão em más condições. No levantamento anterior, divulgado em 23 de abril, 93% das lavouras estavam em boas condições e apenas 7% em condições médias.

“Com o déficit hídrico, fatalmente haverá perdas de produção”, afirmou Edmar Gervásio, economista do Deral. Segundo ele, as regiões norte e oeste do Estado não registram chuvas há cerca de 30 dias. No Paraná, até o momento, 16% das plantações estão em desenvolvimento vegetativo, 52% em floração, 30% em frutificação e 2% em maturação. A falta de chuvas nas fases de floração e frutificação pode resultar em quebra considerável.

“Temos uma previsão de chuvas entre 15 mm e 20 mm nos próximos dias, mas precisaria de um volume de 70 mm para melhorar a situação”, explicou Gervásio.

Uma projeção das perdas só poderá ser medida de maneira consistente quando a maior parte das lavouras estiver no fim do ciclo de desenvolvimento. “Mas não restam dúvidas de que revisaremos para baixo a produção já no relatório de maio”, disse o economista do Deral. A última estimativa oficial do órgão apontou para colheita de 12,3 milhões de toneladas de milho na safrinha, 8% menos que a segunda safra do ciclo 2016/17.