Ano letivo pode começar com greve dos professores no Paraná

Decisão será apresentada à Assembleia Estadual, marcada para o próximo sábado, em Curitiba

Foto: Antônio More

Professores, pedagogos e agentes educacionais se reuniram na noite de ontem em Foz de Iguaçu para preparar o posicionamento da APP-Sindicato sobre a mobilização da categoria neste início de ano letivo. A decisão será apresentada à Assembleia Estadual, marcada para o próximo sábado, em Curitiba.

Em estado de greve desde novembro do ano passado, os educadores avaliam que as políticas do Governo do Estado em relação aos trabalhadores da educação retiram direitos e dificultam o trabalho nas escolas, afetando a qualidade de ensino. Os servidores analisam se há condições de começar as aulas, previstas para 19 de fevereiro.

Conforme a presidenta da APP-Sindicato/Foz, Cátia Castro, o governo ignora qualquer negociação com a categoria e impõe normas que prejudicam os educadores e os estudantes. Entre as medidas mais recentes, estão a confirmação da redução do salário dos professores PSS e a edição da resolução para a distribuição de aulas.

“O governo não só cortou o salário em mais de 13% como anunciou que vai contratar só a metade do número de professores PSS admitidos no ano passado, enquanto há falta de profissionais nas escolas”, expõe Cátia Castro. “Já a distribuição de aulas é uma forma de punição, vai gerar desemprego e superlotar as salas, além de manter a redução ilegal da hora-atividade”, aponta.

Histórico

A dirigente sindical reforça que as iniciativas do Governo do Paraná contra a categoria acumulam-se nos últimos anos, agravando-se a partir de 2015. Castro lembra que os educadores estão com os salários congelados e só deverão ter direito à reposição das perdas com a inflação ao término da atual gestão do governador Beto Richa (PSDB).

“O governo não cumpriu nada do que foi estipulado nos acordos para encerrar as greves”, pontua Cátia Castro. “A decisão da nossa categoria de fazer ou não greve agora implicará diretamente na condição de trabalho em 2018 e na própria condição de impedir outras medidas contra nossos direitos. Só temos o caminho da mobilização”, resume.

Previdência

A representante da APP-Sindicato/Foz destaca, também, que além das reivindicações específicas da categoria, os educadores devem mobilizar-se contra a reforma da Previdência. “Se for aprovada, a reforma fere o direito à aposentadoria dos servidores públicos, que precisarão trabalhar mais e contribuir financeiramente por mais tempo”, diz Cátia Castro. O Governo Temer almeja aprovar a proposta em fevereiro.