Vereadores anunciam retirada de projeto polêmico em Cambará

Com apenas cinco votos a matéria não passaria, por se tratar de preceito da constituição municipal que exige maioria absoluta.

Foto: Reprodução Internet

Depois de aprovar por seis votos a três um projeto de lei que derrubaria legislação que proibia contração de parentes na administração publica de Cambará, os vereadores da situação anunciaram na tarde de terça-feira, 24, em nota nas redes sociais, de que retirariam de pauta a matéria após a vereadora Cris Liga (PTB), anunciar que mudaria seu voto em segunda sessão ordinária. Com apenas cinco votos a matéria não passaria, por se tratar de preceito da constituição municipal que exige maioria absoluta.

O que levou Cris a recuar foi a pressão popular, segundo informou no início da noite de ontem o jornalista Roberto Francisquini, do site Circulandoaqui. Segundo ele, a cidade nunca viu uma manifestação tão virulenta da comunidade, que se ergueu contra o projeto dos vereadores.

Sessão tumultuada

A Câmara de Vereadores de Cambará, numa das mais tumultuadas sessões dos últimos tempos, aprovou, na noite de segunda-feira (23), projeto de lei de autoria de membros ligados à atual administração, que altera legislação que proibia o emprego de parentes na administração pública. O projeto, conhecido como “Lei do Nepotismo”, causou uma das maiores manifestações da história da cidade, mas nem isso inibiu os vereadores Ângelo Raia, o Zoinho (DEM); Cris Liga (PTB), Jair Antônio da Silva, o Jair Eletricista (PMDB); Marcos Roberto de Oliveira, o Tetinha (DEM); Raffaello Frascati (PMDB); e Rogério Frutuoso (Rogerinho do Karatê), que optaram pela a mudança do artigo 138 da Lei Orgânica Municipal, que proibia a contratação de parentes de políticos na administração pública.

Vale assinalar que o projeto aprovado não contraria a lei, já que decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) garante a legalidade da nomeação de parentes para cargos como secretaria, mesmo sendo parentes de ocupantes de cargos públicos. No entanto, a legislação cambaraense contida no artigo 138 da Lei Orgânica, vedava a prática e era vista como modelo para evitar abusos.

Na opinião do jornalista Roberto Francisquini, que publicou matéria a respeito em seu site, o Ciurculandoaqui.com “foi a maior manifestação de repúdio a um ato público da história de Cambará, mas o povo foi traído por seus representantes legítimos”, desabafou em seu texto. Mais de trezentas pessoas acompanharam a sessão. Mesmo sob vaias, os seis vereadores aprovaram a lei.

Manifestação

A vereadora Cris Liga (PTB) foi uma das mais criticadas após o desfecho da votação. Com o plenário repleto, a maioria composta por mulheres, algumas delas com crianças de colo, foram lá para ouvir da vereadora, a segunda da história de Cambará, a resposta esperada, já que Cris Liga nunca falou publicamente quais eram suas intenções de voto sobre a polêmica emenda. Ela sempre se esquivou do assunto. “Cris Liga sequer deu as caras para o público e votou as três emendas da lei para decepção geral da plateia que esperava uma atitude diferente”, revela o jornalista.  “Foi a maior decepção da minha vida”, disse uma eleitora da parlamentar. “Após a votação, Cris não suportou a pressão e caiu no choro”, revela Roberto.

Durante toda a sessão o presidente Walcir Joaquim pediu para que o público mantivesse a ordem no plenário. Segundo o jornalista, Tetinha, Raffaello e Jair Eletricista zombaram do público com sorrisinhos irônicos e foram interpelados pela plateia que cobrou respeito. Desapontada com a situação, a professora Daisy Abigail Larini sugeriu ao público que se retirasse do plenário em forma de protesto.

O público seguiu a sugestão, dando as costas aos políticos, se retirou do plenário e se aglomerou na frente da ao prédio do Legislativo. A Polícia Militar esteve sempre presente, mas não precisou agir, pois o protesto foi pacífico.

O povo ficou do lado de fora aguardando a saída dos políticos. Os vereadores Marcio Albertini, Gil dos Anjos e Walcir Joaquim foram os únicos que votaram contra a lei do nepotismo. Eles também foram os primeiros a deixar o prédio da Câmara. Na saída foram aclamados pelo público. Os que votaram a favor do projeto foram recepcionados com vaias e gritos da plateia.

Jair Eletricista perdeu a compostura e atirou o carro contra o povo, quase provocando um acidente. Cris Liga, de braços dados com o marido André Liga, saiu do prédio da câmara e foi duramente criticada pelo o povo. Não houve agressão física, mas a cena foi chocante.

Os vereadores Raffaello Frascati, Rogério Frutuoso, Ângelo Raia (Zoinho) deixaram o prédio da Câmara no carro conduzido pelo vereador Tetinha. Eles pareciam se divertir com a situação.