“Se abrirmos a UPA, o Hospital Nossa Senhora da Saúde quebra”, diz prefeito

Por que assumir uma bronca dessa se eles podem ter o atendimento obrigatório de graça?”, questionou.

Zezão diz que UPA é para cidade de mais de 100 mil habitantes e que sua função é atender pacientes de outros municípios (Antônio de Picolli / Tribuna do Vale)

Em entrevista ao programa Papo no Pub, da NP TV, na noite de quarta-feira, 19, o prefeito de Santo Antônio da Platina, José da Silva Coelho Neto (PHS), o professor Zezão, disse que a inauguração da Unidade de Pronto Atendimento construída no Rennó Parque quebraria o Hospital Nossa Senhora da Saúde. Conforme o humanista, a transferência de pacientes da UPA para hospitais da cidade e região passaria a depender do processo de triagem feito pela Central de Leitos do Estado, enquanto que os pacientes atendidos no Pronto Socorro Municipal que necessitam de internação são automaticamente encaminhados ao HNSS, que funciona anexo à unidade.

Segundo Zezão, as UPAs Tipo 1 anunciadas pelo governo federal só podem ser construídas em cidades com mais de 100 mil habitantes. No caso Santo Antônio da Platina, para atingir o índice populacional outros municípios vizinhos agregariam o projeto. Entretanto, a maioria dos gestores desistiu da ideia e Santo Antônio recebeu sozinha, o que classificou no início de seu mandato como “presente de grego”. “A UPA tem portas abertas. Se chegar um paciente da Argentina, temos que atendê-lo, de Ourinhos, temos que atendê-lo. Então eu até entendo os outros prefeitos. Por que assumir uma bronca dessa se eles podem ter o atendimento obrigatório de graça?”, questionou.

Ainda de acordo com o prefeito, estudos mostram que o fechamento do Pronto Socorro e a abertura da UPA decretaria o fechamento do Hospital Nossa Senhora da Saúde, pois não haveria condições financeiras para manter o funcionamento da casa de saúde. “As AIHs (Autorização de Internação Hospitalar) que saem do Pronto Socorro vão direto para o Hospital (Nossa Senhora da Saúde), o que não ocorreria na UPA, pois a Central de Leitos seria responsável pelos encaminhamentos”, justificou.

MANUTENÇÃO É CARA

Zezão também explicou que a manutenção da UPA custaria entre R$ 850 mil e R$1 milhão por mês ao município, que não teria condições em manter a unidade e o Pronto Socorro a um custo aproximado de R$ 650 mil mensal. “Passamos então a procurar alternativa para UPA, e já não é segredo para ninguém que estamos negociando há algum tempo aquela estrutura com Hospital do Câncer de Londrina. Fizemos uma proposta ao Ministério da Saúde de devolvermos o dinheiro investido pelo governo federal para que pudéssemos ter o domínio da UPA, e desta forma negociarmos com Hospital do Câncer. Mas o que queremos mesmo é que a União doe o imóvel para o Hospital do Câncer, pois não teremos condições financeiras de manter a Unidade de Pronto Atendimento”, assegurou.

O prefeito concluiu questionando a população sobre o funcionamento da Unidade de Pronto Atendimento. “Por que fechar o Pronto Socorro e abrir a UPA? Não precisa ser médico, enfermeiro ou fisioterapeuta como eu para entender que não seria uma decisão sensata. Acontece um acidente na rodovia, por exemplo, o Samu, o Corpo de Bombeiro ou a ambulância do município vai até lá, pega o acidentado e o leva para o UPA. Chegando à unidade, os médicos não conseguem estabilizá-lo e avaliam que ele precisa de uma cirurgia. A vítima então volta para ambulância e é levada para o Hospital, não necessariamente ao Nossa Senhora da Saúde, pois como disse anteriormente dependerá da triagem feita pela Central de Leitos. Então se nós temos um Pronto Socorro anexo ao Hospital Nossa Senhora da Saúde, um convênio com o governo estadual para reformá-lo e ampliá-lo, na minha concepção seria um tanto absurdo fecharmos uma unidade em funcionamento para abrirmos outra que nos proporcionaria resultados inferiores”, avaliou.