Setembro tem maior número de incêndios dos últimos 12 anos

O Corpo de Bombeiros atende uma ocorrência a cada 13 minutos

Paraná prepara plano de ação para prevenção e combate a incêndios florestais. Foto: Harvey Frederico Schlenker / IAP

Setembro registrou 1.282 focos de incêndio em todo o Paraná. É o maior número registrado neste mês nos últimos 12 anos, segundo dados do Corpo de Bombeiros e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O órgão estadual atende uma ocorrência a cada 13 minutos, sendo a região de Maringá, no Noroeste do Estado, e Curitiba as localidades com maior número de casos.

Para Paulo Barbieri, meteorologista do Simepar, o número de queimadas cresce em setembro por causa do clima seco e sem chuvas. “Há um bloqueio atmosférico, uma massa de ar quente que está sob o Estado e não deixa as frentes frias chegarem até o solo”, conta. É algo típico da estação mais fria do ano, que é seca e não tem muitas ocorrências de chuva.

A cidade de Maringá registrou altos índices porque teve o setembro mais seco dos últimos 17 anos. “Essa situação, no entanto, pode mudar porque restam 11 dias para terminar o mês e há possibilidade de chuva nas próximas semanas”, salienta Barbieri.

DESCUIDO – Em alguns casos, o fogo é iniciado por descuido da própria população, conta a capitã do Corpo de Bombeiros, Rafaela Diotalevi. Segundo ela, nesta época do ano acontecem muitas ocorrências em terrenos baldios, principalmente na capital paranaense.

“As pessoas costumam jogar sacos de lixo nos terrenos e em alguns há cacos de vidro. O contato deles com o sol provoca novos incêndios, que poderiam ser evitados se houvesse mais cautela”, relata.

PREVENÇÃO – Para alertar sobre os riscos de incêndio, o Corpo de Bombeiros tem uma série de campanhas educativas para conscientizar a população. Além do vidro, jogar bitucas de cigarro no mato, acender fogueiras por brincadeira e soltar balões também podem ocasionar novos incêndios. O órgão também procura incentivar as pessoas a ligar imediatamente para o telefone 193 assim que presenciarem focos de incêndio.

Provocar incêndios em vegetação nativa sem a devida autorização é crime. O dono do terreno ou a pessoa responsável pelo manejo do fogo pode sofrer as sanções previstas na Lei de Crimes Ambientais e receber multas que variam de acordo com a área queimada.


Queimadas agrícolas devem ser feitas com cuidado

A queimada agrícola é um procedimento comum nesta época do ano, utilizada principalmente para a limpeza de áreas que serão usadas para o plantio de grãos.

Os agricultores, no entanto, além de autorização, precisam seguir as regras estipuladas pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e as recomendações da Emater.

“Um dos cuidados é fazer limpezas de faixas de dois a três metros de largura na área que vai ser queimada e respeitar os limites de áreas florestais e reservas de área permanente”, conta o engenheiro agrônomo Jorge Mazuchowski.

De acordo com o INPE, o risco de incêndio nesta época do ano é alto não só no Paraná, mas em todo o Brasil.

CB de Umuarama atua no combate ao foto em Ilha Grande

Nesta terça-feira (19), oito bombeiros militares do Grupamento de Umuarama passaram a atuar no combate ao incêndio no Parque Nacional de Ilha Grande, pertencente ao Governo Federal, localizado na divisa do Paraná com Mato Grosso do Sul. Os bombeiros atuam junto com brigadistas do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio), responsável pela gestão do Parque.

É o maior foco no Estado, começou no dia 13 e já consumiu mais de 15 mil dos 78 mil hectares do Parque – que abrange os municípios de Guaíra, Altônia, São Jorge do Patrocínio, Alto Paraíso e Icaraíma (Paraná) e Mundo Novo, Eldorado, Itaquirai e Naviraí (Mato Grosso do Sul).

A frente de fogo está na altura do município de Altônia, no Noroeste paranaense. “A vegetação é alta e o local é de difícil acesso para máquinas e escavadeiras e outros equipamentos pesados que são utilizados no combate ao incêndio”, disse o tenente Rodrigo Guilherme Malaquias da Silva, do CB de Umuarama. As causas do incêndio serão apuradas por perícia, após a extinção do fogo. A princípio, acredita-se que tenha sido deflagrado por um raio.