Número de mulheres habilitadas na região cresce 27% em cinco anos

O levantamento foi elaborado pelo Departamento de Trânsito do Paraná (Detran/PR) que detalhou o perfil dos condutores

Aos 47 anos Inácia Carvalho Ferreira está conquistando sua permissão para dirigir (Antônio de Picolli / Tribuna do Vale)

Elas que batalharam por tanto tempo em busca por direitos civis, políticos e sociais, que eram conhecidas como donas do lar, agora são mulheres independentes, donas de si e de seus destinos. A busca pela independência fez crescer o número de mulheres habilitadas em 27% nos últimos cinco anos no mês de junho no Norte Pioneiro. A região tinha há cinco anos 22.730 mulheres habilitadas e esse número em junho deste ano passou para 28.916, ou seja, mais de 6 mil conquistaram a permissão para dirigir. O levantamento foi elaborado pelo Departamento de Trânsito do Paraná (Detran/PR) que detalhou o perfil dos condutores dos municípios de Cambará, Ibaiti, Jacarezinho, Joaquim Távora, Ribeirão Claro, Santo Antônio da Platina, Siqueira Campos e Wenceslau Braz.

O estudo mostra que o maior número de condutoras está entre a faixa etária de 25 a 44 anos, e, esse crescimento é uma tendência para os próximos anos, afinal, aos poucos a mulher vem ganhando seu espaço no mercado de trabalho. Um dos exemplos é a socorrista do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) Inácia Carvalho Ferreira, que aos 47 anos está estudando para tirar sua primeira habilitação. Para ela, a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) não era prioridade na sua vida, por isso nunca havia tido interesse. “Minha preferência era formar meu filho e comprar a casa própria. Não tinha também condições financeiras de fazer anteriormente, agora que consegui alcançar meus objetivos, a meta agora é minha independência para ir onde eu quiser sem depender de ninguém”, explicou.

Inácia está na fase do simulador e em seguida seguirá para as aulas práticas na rua. Ela relata que como trabalha com atendimentos do Samu, acredita que será uma condutora mais consciente e não tem nenhum tipo de medo. “Acho excelente as aulas no simulador para quem nunca dirigiu como eu, o sistema é exatamente igual um veículo e tem sido ótimo para meu aprendizado. Ele simula percursos noturnos, com chuva e aplica vários tipos de exercício para ter uma noção real do que é dirigir na rua. Eu aprovei”, detalhou a socorrista.

Cada pessoa no seu tempo

A instrutora particular, Adileuza Flausino conta que durante sua carreira de dez anos como instrutora de auto escola e agora como motorista do Samu percebe que um dos maiores problemas que as mulheres enfrentavam para tirar habilitação era o medo, de bater, de veículos maiores (caminhões e ônibus) e preocupação com que está atrás. Hoje, esse medo aos poucos tem sido deixado de lado e as mulheres buscam se espelhar em alguém para conseguir alcançar as suas metas. “É diferente dar aula para uma mulher que seja mãe, a visão dela é outra, vê o mundo diferente e é mais cuidadosa”, contou.

Adileuza destaca que como a mulher vem ganhando seu espaço na sociedade, hoje ela vai buscar a CNH por necessidade de trabalho, de levar os filhos para a escola e para não depender mais de ninguém. “Nós podemos ajudar essas mulheres que tem certa dificuldade em conseguir a permissão para dirigir, aumentando a autoestima dessas pessoas, estimulando para melhorar cada vez mais. Todos nós temos capacidade, mas cada um no seu tempo certo”, recomendou.

Elas estão em destaque

O proprietário da Auto Escola Preferencial e membro do Conselho Municipal de Trânsito Ivonei Bozi comenta que há dez anos, quase não se via mulheres frequentando as salas de aula de sua escola, mas o cenário com o passar dos anos veio mudando e recentemente em uma turma de 12 alunos, havia apenas um homem entre as 11 mulheres. “Elas são muito melhores nas provas teóricas, pensam mais rápido e tem um melhor desempenho. O índice de envolvimento das mulheres em acidentes de trânsito é muito menor que os homens”, comentou.

Bozi conta que a média de idade das mulheres em busca da permissão para dirigir é acima de 25 anos e a proporção de alunos na escola está em 50% de cada gênero. “Antigamente a mulher não tinha voz ativa e hoje, elas estão em destaque e não só no trânsito, mas no cenário político, social e organizacional”, elogiou.

Primeira habilitação tem queda de 59% na região

Um estudo do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran) entre os meses de janeiro e junho de 2013 e 2017 apontou que o número de emissão da primeira habilitação teve uma queda de 59%. Entre janeiro e junho de 2013 foram emitidas 4.724 CNHs, já em 2017 a queda foi para 1.965. Os municípios levantados no estudo foram: Cambará, Ibaiti, Jacarezinho, Joaquim Távora, Ribeirão Claro, Santo Antônio da Platina, Siqueira Campos e Wenceslau Braz.

A queda está relacionada diretamente com o atual cenário econômico que o País enfrenta. Para a estudante Clara Maria de Souza, 22, de Santo Antônio da Platina essa queda significativa está associada aos preços exorbitantes para conquistar a permissão de dirigir. A pessoa que pretende retirar a primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH) das duas categorias carro e moto vai desembolsar mais de R$ 2,8 mil para valores à vista. Já os valores a prazo para retirar as duas categorias ultrapassa dos R$ 3 mil. “Eu sou estagiária, é inviável conseguir habilitação com esses preços abusivos. Vou em breve tentar pelo menos a categoria de moto por ser mais econômico e mais barato para me deslocar na cidade”, disse.

As taxas do Detran/PR também não estão nada agradáveis. A equipe de reportagem levantou alguns valores que tiveram uma grande variação entre 2008 e 2017 como: a emissão de CNH (1ª e 2ª via) que passou de R$ 39,68 para R$ 80,12; o exame de aptidão física e mental que custava R$ 13,23 e subiu para R$ 61,47; a avaliação psicológica para fins pedagógicos aumentou de R$ 66,16 para R$ 156,31; a perícia técnica e médica especial de R$ 79,39 para 104,33; registro de Centro de Formação de Condutores de R$ 119,12 para 206,72.