Descuido faz HIV e Sífilis voltar a preocupar autoridades da Saúde

Ambas as doenças têm sido mais frequentes em jovens entre os 15 e 25 anos.

Tratamento mais eficaz contra a sífilis, é feito com penicilina injetável, mas por ser dolorida, muitos pacientes desistem (Divulgação)

O avanço da medicina em relação aos tratamentos para portadores de HIV/Aids, fez com que o “terror” da doença fosse diminuindo com o tempo. Quem não viveu nos anos 1980, quando o diagnostico positivo de Aids era uma sentença de morte, hoje não leva a sério os cuidados preventivos para evitar a doença, e com isso, os números de casos voltam a preocupar. Apesar do tratamento, a Aids não tem cura.

No mesmo embalo da Aids, volta ao cenário a Sífilis, também sexualmente transmissível, e que durante um bom tempo, pode passar despercebida, mas com contaminação ativa.

Na abrangência da 19ª Regional de Saúde, que atende 22 municípios da região, ao todo, há 279 casos de Aids e 219 de sífilis, de 2013 até julho desde ano. Ambas as doenças  têm sido mais frequentes em jovens entre os 15 e 25 anos.

Esses são os casos registrados por meio de exames. Mas é de conhecimento das autoridades de saúde, que muitas pessoas, mesmo em situação de risco, não fazem os testes para diagnóstico, portanto, a tendência é deixar as doenças avançarem, por período silenciosamente, até que se agravem. Nesse meio de tempo, ela pode ser transmitida de maneira incontrolável.

Segundo o chefe da Divisão da Vigilância em Saúde da 19º Regional, Ronaldo Trevisan, o problema está na falta de prevenção (uso do preservativo), e também na despreocupação em relação aos parceiros e a uma futura formação de família. “A sífilis tem trazido problemas sérios com gestantes, que muitas vezes só descobrem que estão doentes quando fazem o pré-natal. O feto pode ser diretamente atingido e nascer com uma série de problemas de saúde”, comentou.

O tratamento para Aids tem que ser feito vida toda, mas o da sífilis depende do estágio da doença, porém, as pessoas tendem a “fugir” do tratamento, porque é feito com aplicações de penicilina, ou seja, injeções extremamente dolorosas. “Mas não tem outro jeito. Tem quem que encarar. O problema é que muitos pacientes dão início ao tratamento, mas interrompem por causa da dor. Essa atitude só piora a situação”, comentou.

Outra doença que a saúde pública tenta controlar, é a hepatite B e C, também contraída através da relação sexual. “Há testes disponíveis em todas as secretarias municipais de Saúde do Estado para as hepatites, HIV/Aids e sífilis. É preciso faze-lo para que a doença possa ser tratada”, disse.

Trevisan também alertou que os portadores têm que tomar coragem e contar sobre suas condições de saúde aos parceiros. “Já que as pessoas não estão levando a sério o problema, é justo que o parceiro esteja ciente e possa decidir se quer ou não correr o risco”, avisou.

Na região da 19ª Regional de Saúde, em 2013, foram registrados 28 casos de sífilis, em 2014, houve um salto, e os registros subiram para 42. Em 2015, surgiram 61 novos casos e em 2016, 53. Porém a contagem deste ano indica que os casos de sífilis até o final do ano, tendem a aumentar novamente. Até julho há havia 33.

O comportamento da Aids não foi muito diferente nesse período. Em 2013, haviam 56 casos, em 2014, 70, em 2015, 58, em 2016, 57 e até julho deste ano, 38.

Paraná

Se na região a tendência para as duas doenças é preocupantes, no Estado, o crescimento delas é assustador.

Dados do último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde revelam que os casos de HIV e sífilis adquirida,  entre 2010 e 2015, dispararam. O número de notificações da primeira doença (HIV) saltou 262%, enquanto os casos de sífilis tiveram um aumento bem mais expressivo, de 14.114%.

De acordo com os dados do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), Aids e Hepatites Virais (DIAHV), em cinco anos foram registrados 9.037 casos de sífilis adquirida no Estado. Em 2010, primeiro ano da análise, haviam sido 29 notificações. Em 2015, foram 4.122, um aumento de 82,1% na comparação com 2014, quando haviam sido 2.264 notificações.

Com relação aos casos de HIV, o crescimento nas notificações até que foi menor, mas igualmente alarmante. Até 2012, o número de registros permanecia abaixo de 760 por ano. No ano seguinte, praticamente dobrou, chegando a 1.401 notificações. Em 2015, o recorde: 2.242 casos notificados.