Com voz mais madura, Mallu Magalhães lança álbum ‘Vem’

Novo trabalho tem 12 faixas e surge seis anos depois de "Pitanga" (2011)

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“Sou gata da vida, eu venho do mato /Da selva de pedra, São Paulo /Você que me ature e não há quem segure /A coragem dos meu vinte e quatro”. É a partir dos versos da canção “São Paulo”, que figura no recém-lançado “Vem”, que a cantora e compositora paulistana Mallu Magalhães, 24, se apresenta.

“Essa é a pessoa que eu queria ser. A música funciona como um mantra”, explica. A artista faz o show de lançamento do disco neste sábado (26), no Tom Brasil. Com 12 faixas, o novo trabalho surge seis anos depois de “Pitanga” (2011).

No meio tempo, ela formou a Banda do Mar -ao lado de Marcelo Camelo, seu marido, e o português Fred Ferreira-, teve uma filha, Luisa, e excursionou com a turnê “Saudade”, no formato voz e violão. A chegada de Luisa, inclusive, aparece em algumas canções, como “Casa Pronta” e “Linha Verde”.

“Essas três experiências trouxeram à tona esse lado selvagem que a cidade e o mundo exigem da gente. Me deram muita autoconfiança, coragem e força”, diz.

Com uma voz mais madura, Mallu resgata suas referências de bossa nova, samba-jazz e MPB setentista. Por outro lado, também se identifica com a “sujeira urbana” de outros artistas. “Eu gosto da música que abre mão da elegância para soltar os cachorros. Espero que a minha bossa nova seja um pouco mais desbocada.” Com letras autobiográficas, “Vem” foi gravado em três cidades: São Paulo, Rio de Janeiro e Lisboa, em Portugal -todas presentes em sua vida.

POLÊMICA

A cantora se viu no meio de um polêmica lançar o videoclipe da música “Você Não Presta”. Acusado de racismo, o clipe traz Mallu ao lado de dançarinos negros, que vestem calças jeans e têm o corpo banhado a óleo. Para ativistas, o vídeo hiperssexualiza os negros, atitude que remeteria ao período da escravidão.

Alguns também apontaram uma cena em que os bailarinos aparecem em uma escada fechada por uma grade, o que poderia aludir a uma prisão. Na ocasião, ela postou um texto em sua conta em rede social se desculpando.

“Está sendo duro até agora pra mim. Viver essas situações é como viver um luto, um sofrimento. Essa não era a minha intenção. Minha mensagem sempre foi de construção e convite, nunca de opressão ou ofensa”, explica dizendo que saiu mais “sensibilizada” depois do ocorrido e que hoje faria um clipe diferente.

Pouco menos de um mês depois do lançamento, a cantora foi ao programa “Encontro com Fátima Bernardes” e acabou se envolvendo em outra polêmica ao dizer em tom jocoso, antes de interpretar “Você Não Presta”, “essa música é pra quem é preconceituoso e fala que branco não pode tocar samba”.

“Foi uma frase infeliz. Eu estava muito nervosa e falei algo que não devia. Parece que eu defendo o racismo reverso e eu não acredito nisso”, diz.